Salão Nobre

No século XV, altura em que o Paço era habitado por D. Afonso, Duque de Bragança, e sua mulher, D. Constança de Noronha, este seria o espaço nobre do edifício – a Sala Grande ou Aula – e daqui se teria acesso aos espaços mais privados e apenas utilizados pelos Duques.

Nestes edifícios, ao contrário do que é vulgar nas casas de hoje, não existia corredor e as câmaras, como então se dizia, sucediam-se umas às outras, caminhando-se dos espaços públicos para os espaços cada vez mais privados.

Nesta Sala Grande ou Aula do Paço, atualmente designada Salão Nobre, chama a atenção a cobertura em forma de barco invertido, a qual, apesar de construída em madeira de castanho no segundo quartel do século XX, deverá talvez corresponder ao modelo original.

Se o visitante desviar o seu olhar para a parede do topo nascente desta sala verifica que aí, bem alto, se encontram três pequenas aberturas na parede, fechadas com portada de madeira. Funcionariam como vigias do que se passaria nesta Sala Grande ou Aula do Paço.

A decoração do espaço é dominada pela última das «Tapeçarias de Pastrana», de uma série de quatro, a qual retrata «A tomada de Tânger».

Estas tapeçarias devem a sua designação – «Tapeçarias de Pastrana» – ao facto de serem cópias únicas das tapeçarias do último quartel do século XV que se encontram na Colegiada de Pastrana, em Espanha. Esta série narra a conquista no norte de África, em 1471, da praça de Arzila (três tapeçarias) e a tomada de Tânger (uma tapeçaria), decorridas durante o reinado de D. Afonso V. Trata-se muito provavelmente de uma encomenda régia feita a um dos centros manufatureiros da Flandres (Tournai, Bélgica), no terceiro quartel do século XV, podendo supor-se “que as tapeçarias tivessem levado entre três a cinco anos de trabalho em quatro teares operando em simultâneo com dezasseis a 20 tapeceiros” (Maria Antónia Quina). É uma obra única no género, na Europa e no mundo, retratando com rigor histórico os acontecimentos bélicos ocorridos, os quais são, também, comprovados pela documentação.

Móveis diversos, pintura, tapeçarias e porcelanas permitem ao visitante vislumbrar um pouco o modo como os portugueses de maior poder económico decoravam as suas habitações entre os séculos XVII e XVIII.