Sala de Comer Íntima

Nesta sala recriou-se um espaço destinado às refeições de uma época posterior à edificação do Paço dos Duques.

Observe-se, no centro, uma mesa rodeada de cadeiras, nas paredes tapeçarias e mobiliário, e diversos móveis – armários e arcas – sobre os quais se expõem porcelana e metais.

Desde a Idade Média que existe o costume de tornar os espaços habitacionais mais confortáveis decorando as paredes com panos de armar (panos de lã, damascos, tapeçarias) ou com guademecis (couros lavrados e pintados). De facto, em 1580, os venezianos Tron e Lippoman, quando estiveram em Lisboa, relatam que os portugueses tinham por hábito ornar os espaços “de tal modo que na verdade ficam magníficos. Costumam forrar os aposentos de rasos (panos de lã sem felpa) de damascos e finíssimos razes (panos de rás, tapeçarias) no inverno, e no verão de couros dourados muito ricos (guadamecis), que se fabricam naquela cidade”.

Uma das tapeçarias presente nesta sala pertence à série Publius Decius Mus e foi realizada com base em "cartões" encomendados ao pintor Peter Paul Rubens, sendo o tema tratado «Publius Decius Mus consulta os Arúspices». Nela se documenta a história do Cônsul romano Publius Decius Mus, baseada na descrição constante na obra, «Ab urbe condita», do historiador romano Tito Lívio. Os cônsules Publius Decius Mus e Titus Manlius chefiam os romanos na guerra contra os latinos (340-338 a.C.), tendo ambos sonhado com um gigante que predizia "que seriam sacrificados aos infernos, o general de um dos exércitos, e o exército oposto, sendo necessário o sacrifício de um dos cônsules para que fosse obtida a derrota do inimigo. Cumprindo um ato de 'devotio', Decius Mus lança-se para a morte contra o exército Latino na Batalha do Vesúvio" (texto de Maria Antónia Quina).