Sala dos Contadores

Os contadores, de que existem vários exemplares nesta sala, são peças de mobiliário, de forma retangular, munidos de muitas gavetas (por vezes com fechadura ou combinações secretas), nas quais se guardava dinheiro, joias, documentos e outros objetos de valor e de pequeno porte. Os contadores pousavam inicialmente sobre uma qualquer mesa ou estrado, começando, mais tarde, a fazer conjunto com uma mesa criada propositadamente para o efeito.

Nesta sala expõe-se também um excelente exemplar de tapete Salting, representativo da qualidade técnica da arte islâmica dos séc. XVI-XVII (teia e trama em seda, elevada densidade de nós em lã, cores vivas e inscrições religiosas em fio metálico).

Terá sido uma encomenda régia feita a um dos centros manufatureiros da Flandres (Tournai, Bélgica), no terceiro quartel do século XV?

Acredita-se “que as tapeçarias tivessem levado entre três a cinco anos de trabalho em quatro teares operando em simultâneo com dezasseis a 20 tapeceiros” (Maria Antónia Quina).

É uma obra única no género, na Europa e no mundo, retratando com rigor histórico os acontecimentos bélicos ocorridos, os quais são, também, comprovados pela documentação.

A origem desta designação – tapete Salting – reside no facto de um espécime desta tipologia ter sido oferecido ao Victoria and Albert Museum, em Londres, por George Salting (1835-1909), colecionador de arte australiano. O Paço dos Duques possui três destes tapetes, que vão sendo expostos rotativamente (quatro meses por ano cada um deles), o que constitui o maior conjunto documentado fora do palácio Topkapi, em Istambul (Raquel Santos e Jessica Hallett).

Para além dos contadores e do tapete Salting o visitante pode observar nesta sala várias pinturas, arcazes e peças de porcelana e faiança.