Evolução Construtiva

Edifício

Para que se compreenda a evolução do Castelo de Guimarães desde a sua fundação pela Condessa Mumadona Dias no séc. X até aos nossos dias, transcreve-se abaixo, com a devida autorização um texto de Mário Jorge Barroca e Luís Carlos Amaral sobre a evolução construtiva do Castelo de Guimarães

Evolução construtiva do Castelo de Guimarães

A origem do castelo

O Castelo de Guimarães ainda não é mencionado na partilha de bens entre a condessa Mumadona Dias e seus filhos, assinado a 24 de Julho de 950. Mas já aparece mencionado no final desse mesmo ano, num documento onde o Mosteiro de Guimarães é localizado sob alçada do Mons Latito (ou Monte Largo). Alguns anos mais tarde, em 968, Mumadona Dias revelaria que o mandara erguer para proteger o Mosteiro de um ataque de “gentios” (provavelmente normandos).

Fases construtivas

Fase I – Fase Condal (Séc. X)

O primitivo Castelo de Guimarães, construído por Mumadona Dias, no segundo semestre de 950, é um clássico exemplo dos chamados “castelos condais”. No entanto, desta primeira estrutura não possuímos vestígios arqueológicos. O castelo deve ter sido erguido entre penedos, servindo-se deles para melhorar as condições defensivas, e erguido em madeira, material perecível que deixa escassos testemunhos.

Fase II – Fase Condal (Séc. XI)

Nos finais do século XI, o Castelo de Guimarães sofreu uma profunda reforma, de que subsistem vestígios nas primeiras fiadas de pedras da muralha voltada ao Campo de S. Mamede. Esta fase foi construída com pedras de grandes dimensões, muito distintas das utilizadas em fases seguintes. O alinhamento destes vestígios revela um castelo com um pátio quase coincidente com o atual, de planta arredondada, mas que não atingia nenhuma das extremidades da estrutura atual. Este castelo não tinha torreões nem torre de menagem. Era, por isso, um simples pátio rodeado por muralha, com uma ou duas entradas. Foi este castelo que os condes D. Henrique e D. Teresa conheceram.

Fase III – Fase românica (Séc. XII)

No século XII, no tempo de D. Afonso Henriques, o Castelo sofreu uma reconstrução com ampliação. A nova muralha, que integrou na base algumas partes da anterior estrutura condal, utilizou silhares mais pequenos que os da Fase II. O novo castelo percorre o perímetro amuralhado da atual fortificação, mas continuava a não ter torreões nem torre de menagem. A muralha românica era coroada por um adarve (ou caminho de ronda), que era um pouco mais baixo do que o caminho de ronda atual. Desse primeiro adarve restam vestígios em quase todos os panos de muralha.

Fase IV – Fase gótica (Séc. XIII-XIV)

No reinado de D. Afonso III ou de D. Dinis (segunda metade do séc. XIII ou inícios do séc. XIV), quando as muralhas urbanas de Guimarães estavam em obras, o Castelo de Guimarães sofreu uma nova intervenção. Esta Fase IV foi muito importante: foram construídos os oito torreões adossados à muralha, introduziu-se a torre de menagem, e a muralha foi alteada um pouco. As obras desta fase utilizam pedras sigladas. Foi, portanto, com esta intervenção que o Castelo de Guimarães adquiriu, finalmente, o aspeto que hoje tem.

Fase V – Paço do Alcaide e Barbacã (Século XV)

Já no século XV foram introduzidas duas novas estruturas. No interior do castelo, foi erguido o Paço do Alcaide, que tinha quatro andares (os dois primeiros, adossados à muralha, destinados a zonas de serviço; os dois superiores, apoiados no adarve e erguendo-se acima dele, destinados a zona residencial). 

No exterior do Castelo, acompanhando a muralha na zona voltada ao Campo de S. Mamede, foi erguida uma Barbacã. Dela não restam hoje vestígios, mas a Planta de Guimarães, de c. 1570, ainda a regista integralmente. Em recentes trabalhos arqueológicos apareceram vestígios dos seus alicerces.

Fase VI – Decadência

A partir dos inícios do século XVI o Castelo de Guimarães perdeu interesse e importância estratégica. E, com o desinteresse militar, vieram os anos de decadência. A partir de 1664/1666 a sua pedra foi utilizada para a construção de novos espaços, o que ditou a demolição de algumas estruturas, como o Paço do Alcaide e a Barbacã. E entre 1692 e 1895 serviu de prisão.

Restauro

Na segunda metade do século XIX, os Vimaranenses começaram a olhar para o velho castelo com outra sensibilidade. Classificado como Monumento Nacional em 1881, foi objeto de um profundo restauro da responsabilidade da Direção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (1936-1937), tendo sido inaugurado a 4 de junho de 1940, na cerimónia que marcou o início das Comemorações Nacionais dos Centenários (1140-1640). Hoje, está incluído na área de Guimarães classificada como «Património Cultural da Humanidade» (2001).

Requalificação do Castelo e criação do Centro de Interpretação

Em 2015, é inaugurada a primeira fase das obras, que incluiu a requalificação do pátio do castelo e a criação de passadiços e proteções no adarve da fortificação. A segunda fase, abrangendo a recuperação do espaço interior da Torre de Menagem e a instalação de um pequeno Centro Interpretativo, inaugurou-se um ano mais tarde, simbolicamente no dia 24 de junho de 2016.

Finalmente, em idêntico dia do ano de 2019 foi lançado o livro Castelo de Guimarães. Livro-Guia do Centro Interpretativo (da autoria dos signatários e com edição da Associação de Amigos do Paço dos Duques de Bragança e Castelo de Guimarães), com os conteúdos do Centro apresentados de forma mais desenvolvida.