Mobiliário

«A coleção de mobiliário é, assim, maioritariamente constituída por móveis adquiridos no mercado português, ou, num reduzido número, aí depositados pelos museus nacionais. (…) Condicionadas pela oferta do mercado e pela dotação orçamental, as aquisições feitas pela Comissão traduzem o mercado de arte nacional e o gosto que então imperava, bem como as opções já delineadas noutros projetos. Face às dificuldades, a opção tomada traduz a tentativa de recuperação de uma linguagem estética nacional que no campo das artes decorativas, tal como nas artes plásticas, o Estado Novo promovia. O mobiliário do período da Restauração, a par de móveis dos tão apreciados estilos D. João V, D. José e, em menor número, D. Maria, complementado por móveis italianos, espanhóis e holandeses, foi assim escolhido para conferir um “carácter português” ao ambiente. As aquisições contemplaram tanto originais, como exemplares produzidos no século XIX, num contexto historicista, e, até, no século XX, não faltando diversas interpretações regionais de modelos produzidos nos grandes centros de produção, executados preferencialmente com madeiras da “terra”, como o pinho e o castanho. A evocar a presença portuguesa no Oriente encontram-se representadas diversas tipologias de mobiliário» (Texto de Celina Bastos e Conceição Borges de Sousa).